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Vereadores de Ituporanga abrem CPI para investigar possíveis irregularidades na coleta de lixo no município

Por unanimidade, com o apoio dos 11 vereadores de Ituporanga, foi aprovada na noite de segunda-feira,25, a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar possíveis irregularidades e desvio de recurso público na administração de Ituporanga. O problema está relacionado a divergência entre  a quantidade de lixo recolhida no município pela empresa SAY Muller e a quantidade de resíduos que chega ao destino final.

O requerimento da CPI recebeu a assinatura de todos os vereadores e por isso não houve necessidade de abrir votação. A comissão tem como presidente Leandro Heinzen (PSB), relator Claudinei Eyng, Beleco (MDB) e membros Marcelo Machado (PP), Jaime Roberto Sens (PSDB) e Diogo Gastaldi (MDB). O intuito dessa comissão é descobrir com quem  fica esse dinheiro que supostamente está sendo desviado.

A denuncia das possíveis irregularidades foi apresentada pelo vereador Leandro May (PSDB), antes de pedir exoneração do cargo de secretário de Urbanismo do município.  “No dia 11 de fevereiro com ajuda de um ex funcionário da SAY Muller, consegui identificar que tinha irregularidade na pesagem. O que chamou a atenção foi as diferenças de valores que estavam aumentando  mês a mês. Do mês de novembro pro mês de janeiro, aumentou quase R$ 26 mil. Ai fui atrás do Secretário da Fazenda para tentar saber o que estava acontecendo, e o mesmo ainda disse, será que não estão levando junto a areia que as mulheres varem do asfalto? Só que não era isso”, relatou May, na sessão da câmara durante a abertura da CPI.

Leandro May continuou a fala dando detalhes dos dados que não fechavam com relação a pesagem do lixo. Segundo o vereador, que na época ainda era secretário, no mês de janeiro os documentos apontavam que 500 toneladas de lixo tinham sido coletados pela empresa SAY Muller, dessa quantidade 370 toneladas foram transportadas ao destino final pela Serrana Engenharia, uma diferença de cerca de 130 toneladas. “A partir daí comecei a investigar. Fui procurar os responsáveis pela cooperativa de catadores que fazem a reciclagem do lixo, lá identifiquei que apenas 43 toneladas havia sido reciclado. O que no final das contas deu uma diferença de quase 85 toneladas de lixo que supostamente foi recolhida mas o destino final não se tem notícia, uma diferença de valores de pelo menos R$ 32 mil”, explicou.

O vereador pontuou ainda, que durante as conversas com algumas pessoas que fazem parte do processo de coleta, ficou sabendo que a ordem era que esses dados não chegassem ao conhecimento dele como secretario de urbanismo. “Os relatos foram que existia uma ordem que essa pesagem e esses documentos não podiam chegar a mim. Ai fui procurar o secretario da fazenda pedindo cancelamento de pagamento, ele me disse que não tinha nada de errado, procurei o prefeito, o prefeito disse que não era com ele. Continuei tentando descobri, pedi os documentos do mês anterior e vi que também tinha furo. Solicitei documentação dos 10 meses anteriores para fazer comparações mas o secretário me negou e não passou nenhuma documentação e o valor foi pago também a empresa”, contou.

Ainda como secretário, Leandro May contou que pediu sindicância para investigar irregularidades e pediu exoneração do cargo. “Depois dessas descobertas decidi voltar para a câmara, e tem varias informações que ainda tenho para repassar e vou passar nessa CPI. O que quero é que sejam investigadas essas situações e se descubra onde estão as irregularidades”, finalizou.

Durante a sessão todos os vereadores se manifestaram falando da importância das investigações. Os trabalhos prestados pela empresa SAY Muller, tem sido constantemente questionado na câmara desde o início dos trabalhos na cidade de Ituporanga. O vereador Edio Fernandes (MDB), lembrou que a bancada do partido pediu por várias vezes informações. “Desde a licitação estamos pedindo informações sobre esse trabalho de coleta de lixo em Ituporanga e apontando que poderia haver irregularidades e que essa empresa trazia prejuízo para o município. Ano passado, a mesma empresa foi alvo de investigação do Gaeco, e sempre alertamos aqui na câmara sobre supostas irregularidades”, lembrou na sessão.

Durante a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito, foi ainda questionado o poder que a CPI tem com relação a pedir afastamento do prefeito Osni Francisco de Fragas e de demais envolvidos. Sobre o assunto, o presidente da casa Adriano Coelho (PP), informou que a principio a CPI tem o poder de investigar e encontrar as irregularidades se realmente elas existem. “Existem algumas possibilidades para se pedir o afastamento, uma delas é se houver tentativa de atrapalhar o andamento dos trabalhos de investigação e isso tudo será analisado assim que os trabalhos da CPI iniciarem”, comentou.

Câmara de Vereadores de Ituporanga
Assessoria de Comunicação
 
Protocolos desta Publicação:Criado em: 01/03/2019 - 11:12:05 por: Erlon Carlos Thiesen - Alterado em: 07/03/2019 - 00:22:52 por: Erlon Carlos Thiesen

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