Vereadores discutem falta de água em Ituporanga e cobram mais investimentos da Casan

A preocupação é que em breve não se tenha água tratada suficiente para abastecer a população.

 

A constante falta de água no município de Ituporanga voltou a ser tema de cobranças na Câmara de Vereadores. O assunto foi lembrado pelo vereador Leandro Heizen (PSB) na sessão realizada na noite de segunda-feira, 06. Para o vereador  é necessário que a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (CASAN) amplie a capacidade de tratamento de água para dar conta da demanda. A preocupação é que em breve possa faltar água tratada para fornecer aos moradores.

“Hoje o abastecimento de água já é insuficiente, e acredito que em breve corremos um grande risco de não ter água tratada suficiente para atender a cidade se não forem tomadas medidas em um curto espaço de tempo. São pelo menos 10 pedidos de abertura de novos loteamentos hoje em Ituporanga. Como ficará a situação com o aumento das unidades consumidoras?”, questionou preocupado o vereador.

Recentemente foram realizadas obras de melhorias na Estação de Tratamento de Água (ETA) localizada na Rua Duque de Caxias, Bairro Boa Vista. Os investimentos foram de mais de R$ 1 milhão. Porem de acordo com o vereador, os investimentos serviram apenas para deixar a estação em melhores condições, mas não para ampliar a quantidade de água tratada. “Os trabalhos de melhorias foram feitos, eram necessários, mas estão longe de serem suficientes para a cidade de Ituporanga”, enfatizou Leandro.

No ano passado a pedido do vereador do PSB, a  Agencia Reguladora Intermunicipal de Saneamento (ARIS) esteve no município e fez uma grande inspeção em todo o sistema de fornecimento de água. “Ainda estou analisando todo o relatório, mas de acordo com o levantamento os índices de vazamentos são altíssimos, isso significa que boa parte da água tratada, com o dinheiro dos consumidores, é desperdiçada”, alertou.

O presidente da casa Adriano Coelho (PP), também se manifestou sobre o assunto e acrescentou que a grande quantidade de vazamentos pode estar ocorrendo porque as tubulações que cortam a cidade para fazer o abastecimento são antigas demais. “A informação que tenho é que a Casan fatura, e fatura muito bem em Ituporanga. Mas os canos que estão por baixo da terra são muito velhos, acabam danificando e não são recuperados”, lembrou.

Possivelmente neste ano deve dar entrada na Câmara de Vereadores um Projeto de Lei para renovar a parceria da estatal com o município. Para o presidente essa será a oportunidade de cobrar mais investimentos e melhorias para a rede de abastecimento. “Essa discussão é necessária, precisamos em nome da população cobrar, e quem sabe trazer os representantes da estatal aqui pra nos explicar, se comprometer e dar garantias de que serão ampliados os reservatórios, que será ampliada a quantidade de água tratada disponível para a população”, explicou.

 

Municipalização no abastecimento foi sugerida

 

Enquanto para alguns vereadores é necessário cobrar de forma mais efetiva, investimentos e melhorias na rede por parte da CASAN, o vereador Diogo Gastaldi (PMDB), sugeriu a municipalização. Para justificar a ideia, o vereador citou como exemplo a experiência vivenciada em Presidente Getúlio. “Naquele município hoje são arrecadados mais de R$ 200 mil por mês, e toda a arrecadação precisa ser investida em melhorias pra cidade. Aqui em Ituporanga temos quase cinco mil cavaletes, é preciso fazer a conta de quanto ela arrecada e quanto ela repassa pro município, e fazer um estudo de viabilidade da municipalização”, pontuou.

De acordo com o vereador Claudinei Eyng (PMDB), o atual convênio da CASAN com o município prevê que do montante arrecadado, apenas 7% sejam repassados aos cofres públicos. “Esses valores são insuficientes muitas vezes para fazer reparos nos estragos que a própria estatal deixa após fazer reparos em alguma rede no município”, enfatizou.

Para o presidente da Câmara, Adriano Coelho (PP), apesar de não ser um valor significativo de repasse, a questão da municipalização precisa ser pensada de forma muito cautelosa, para que o município não tenha como herança despesas gigantescas que não tragam retorno.